Obesidade tem remédio

A obesidade, tratada pela Organização Mundial de Saúde como um dos principais temas de saúde pública em todos os continentes, pode se associar a outros problemas, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, esteatose hepática, apneia obstrutiva do sono, doenças articulares, distúrbios psiquiátricos e mesmo câncer.

A Organização Mundial de Saúde projeta índices preocupantes. Em 2025, deve haver mais de 700 milhões de obesos e cerca de 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso no mundo. O número de crianças, na estimativa mundial, pode chegar a 75 milhões. No Brasil, dados divulgados em junho deste ano pelo Ministério da Saúde indicam que 18,9% da população acima de 18 anos nas capitais é obesa. O percentual é 60,2% maior que o obtido no primeiro levantamento realizado em 2006 pelo MS. Na região Sudeste, o excesso de peso atinge 50,45% dos adultos e 38,8% das crianças entre cinco e nove anos.

O dia 11 de outubro é dedicado à prevenção da obesidade no Brasil e a luta incansável contra a balança (e a favor do bem-estar) encontra grandes aliados na dieta equilibrada e na prática de exercícios físicos. Para muitas pessoas, porém, essa combinação para perder peso se mostra insuficiente. Nesses casos, o tratamento com remédios não é apenas indicado, mas pode trazer bons resultados.

Fatores como idade, genética, mudanças hormonais e bioquímicas, uso de medicamentos (entre eles alguns antidepressivos) e problemas articulares são alguns fatores que tornam a batalha contra o emagrecimento ainda mais difícil. Os remédios para emagrecer, nesses casos, são indicados, mas é importante ressaltar que o uso só deve ser considerado depois que constatada a dificuldade para perder peso mesmo com mudanças de hábitos de vida, como plano alimentar adequado e prática de exercícios físicos apropriados.

As medicações agem de várias formas no organismo, podendo atuar no cérebro com aumento da saciedade e diminuição da fome, provocando um leve aumento do metabolismo corporal ou ainda interferindo na absorção de gorduras no intestino. Com ou sem o uso de remédios, o acompanhamento de um médico especialista é fundamental, e é importante ter um plano de tratamento com fase inicial mais intensiva que tenha data de início, de fim e objetivo definido. Depois, segue-se a manutenção. Quando os benefícios compensam os riscos, o que acontece na quase totalidade dos casos de forma bastante significativa, o tratamento com medicamentos é absolutamente indicado.

Nathalia Ferreira é endocrinologista, formada em medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Entre 2010 e 2014, chefiou o Ambulatório de Obesidade Grave do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Foi responsável pelos ambulatórios de Obesidade Grave, Pé Diabético e Endocrinologia e Gestação na Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d’Oeste (SP). Atualmente, é responsável pelo Programa Peso Saudável no IAMSPE-SP, que tem sua versão em Campinas com o nome de Attraversiamo.

Dra. Nathalia Ferreira – CRM: 115.092 / RQE: 35585


© 2018 por Agência Blue Com. & Mkt. www.agenciabluecom.com