O dilema entre desconectar alunos e trazer inovação à sala de aula



O uso de smartphones tem sido, nos últimos anos, alvo de debates entre alunos, pais e educadores não apenas no Brasil. A conectividade, que reinventou a forma de adquirirmos informação e a capacidade de transformá-la em conhecimento, está em xeque à medida que se questiona o quanto o celular rouba a atenção do estudante. Em contrapartida, como prática educacional e no cenário escolar, o uso do aparelho – aliado à intencionalidade pedagógica – pode ser um importante instrumento de inovação educacional. Mais aceito e menos questionado do que os celulares, outros dispositivos como tablets e notebooks estão se destacando como alternativa para unir os recursos digitais à conteúdos didáticos conectados com as demandas educacionais do século 21, sobretudo para educar cidadãos em um contexto no qual a tecnologia avança de maneira exponencial e é difícil prever as profissões que surgirão na próxima década.

No Brasil, embora a questão da proibição de smartphones não seja regulada por políticas educacionais, o tema preocupa a comunidade escolar que está dividida entre os que têm medo e os que adotam uma atitude inovadora perante os desafios da tecnologia e das redes sociais. Na contramão de uma postura conservadora, algumas escolas adotam os dispositivos digitais que passam a contribuir com o aprendizado dentro e fora da sala de aula, explorando o que cada um tem de melhor. Enquanto os Chromebooks permitem ações efetivas que ajudam a administrar o fator distração em sala de aula, os smartphones, por sua vez – pela mobilidade e por já fazerem parte do dia a dia do estudante – contribuem para que o acesso ao conhecimento possa extrapolar as paredes da escola.

Defendo que a tecnologia deve estar próxima da linguagem do estudante, gerando identificação e motivação. Na prática, a tecnologia não é mais um diferencial para os jovens; diferente é o fato de a escola ser o único lugar onde a tecnologia fica de lado na vida deles. A escola e a família precisam ensinar os jovens a lidar com as oportunidades, os riscos e os desafios de estarem conectados.

Na minha percepção – inclusive, como pai de quatro crianças – a proibição demanda, na prática, um grau de vigilância impossível para a família e destoa de uma demanda muito pertinente e expressa na Base Nacional Comum Curricular (BNCC): auxiliar o estudante a desenvolver autonomia. Devemos preparar os nossos filhos para a tomada de decisão, para ter autonomia e a proibição vai contra o exercício dessa autonomia. Do ponto de vista dos pais e educadores, vale fazer a distinção entre o uso recreativo da internet e a utilização pedagógica, na sala de aula. Essa diferenciação é essencial para entender a questão.

Os avanços tecnológicos são exponenciais. Hoje, o desafio é direcionar esses avanços para levarmos a educação a um novo patamar. Em suma, estamos falando de como os recursos tecnológicos ajudam a tornar a aula uma experiência mais dinâmica e completa. Algo que é almejado por alunos, professores, pais e toda a comunidade educacional.

















Claudio Sassaki é mestre em educação pela Stanford University e cofundador da Geekie, empresa referência em educação com apoio de inovação no Brasil e no mundo.

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