ENOCHATO. Não seja um, por favor!

Atualizado: 28 de Nov de 2018

Você deve conhecer um tipo desses... Eles quase destroncam o pulso de tanto girar a taça, acham que o vinho que tomam é sempre melhor que o vinho que os outros tomam. E chacoalham a taça, cheiram, giram, cheiram de novo, e descobrem 55 aromas em um vinho de 15 reais, descobrem aromas até de outro planeta. Viajam na maionese, ou melhor, na taça.

O caso é que um número cada vez maior de pessoas vem se tornando enochatos e não é um privilégio masculino, tem muita enochata por aí. Mas quem são eles? De onde vêm? Do que se alimentam?

Listo aqui os tipos de “malas” bebedores de vinho que todos conhecemos. Aplique o gênero que quiser aos exemplos abaixo. Se você encontrar algum deles, evite contato visual prolongado e aplique a regra de ouro: não alimente o chato!




O enofitness

Ele conta o tempo todo as calorias em cada taça que bebe, e de todos ao redor também. Harmonizar com comida, nem pensar. Comer engorda! Não há nada de errado em contar calorias, mas se você fizer isso em um ambiente social, use sua voz interior.


A natureba venenosinha

Inspirada por sua obsessão com a natureza, ela só bebe vinhos naturais, enquanto desaprova vocalmente qualquer outra escolha. Embora tenhamos o prazer de ver os vinhos orgânicos e naturais se tornando mais populares, e eles têm pontos muito válidos, as coisas desmoronam quando você ousa tomar um gole de um tinto produzido em larga escala na frente dela. Serão listados todos os venenos que ela diz que você está ingerindo, e você vai desejar que seja mesmo, para que você possa parar de ouvir o seu discurso eterno.


Wine hipster

A versão milenial do esnobe. Eles podem não conseguir arcar com um Bordeaux classudo, então precisam encontrar formas criativas de se sentirem melhores do que você.

Eles falarão sobre garrafas obscuras e as tendências de vinhos subterrâneos que descobriram e, claro, você está sempre a um ou mais passos atrás, o que em seu julgamento significa que você não tem um bom paladar. Mas sabe de uma coisa? Alguns vinhos são mesmo desconhecidos apenas porque são intragáveis.


Bebuns com classe

Eles não se preocupam muito com o sabor ou a qualidade do vinho, e bebem, bebem muito. Sua sede pelo tipo ou estilo de vinho é indiferente, e fazê-los apreciar as nuances da bebida é difícil. Eles podem dizer que amam vinho, mas os céticos argumentam se o que eles gostam mesmo é de ficar bêbados enquanto se sentem elegantes.


O esnobezinho preconceituoso

Ao seu lado, você beberá um vinho provavelmente bom, se aprender a tolerar seu complexo de superioridade e seu comportamento condescendente. Espere comentários sarcásticos e elogios indiretos, como: “Não acredito que essa garrafa seja da Argentina” ou “esse espumante é ótimo, mas é claro, não é Champanhe”. Não fique para ouvi-lo falar sobre a Borgonha, ou ele nunca irá parar de falar.


#Blogueirinha caras & bocas

Seus hábitos de mídia social se tornam irritantes quando pede para o Sommelier parar de servir para tirar uma foto. As mais ousadas pedirão para eles derramarem mais devagar, e até sessões de selfie improvisadas. Quem se importa se há mais 10 pessoas esperando para serem servidas na mesa?

Não importa a experiência, importa o close e o número de likes! Procure os hashtags clássicos típicos: #LifeStyle #WineWednesday e #WineSelfies. Postar tudo bem, mas essa galera é #NoFilter.


Para esta edição, fz uma livre adaptação do texto original de Gaby Guedez para a revista eletrônica irlandesa http://thetaste.ie. Um dos textos mais divertidos que li ultimamente, e espero que você ria um pouco também. Afinal de enochato e de louco, temos todos um pouco!


por:

Ana Galliano


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